GAIA - Porto

Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Escombros

Crescer em Matosinhos implicou sempre ver as grandes memórias do seu passado industrial serem devoradas pela fúria imobiliária. Para além do passado industrial, também o passado pescatório, o passado rural, o passado ... em nome de um suposto progresso betonizado.
Ontem passei pela antiga, não tenho bem precisão do nome ... Oliveira e Ferreirinha creio ... uma das maiores fábricas da cidade, mesmo em frente ao Parque da Cidade, em breve serão, provavelmente, mais umas torres, condomínios fechados para ricos ... e entretanto o povo vive na inebriante ilusão de progresso ... como progresso? se tão pouco nos lembrámos do que fomos, somos e ... pior que tudo, parece que perdemos a capacidade e criatividade para sonhar o que gostaríamos de ser ...
Eu não quero ser um condomínio fechado ou repirar por todos os poros a cultura do novo riquismo que se apregoa nesta nova Babilónia estéril ...
Entre o cimento o amor espreita, sonhando respirar, de baixo do alcatrão a praia!!!
As buldozers colocam por terra os últimos muros da OLF ... que raízes terei para meus filhos compreenderem quem são?
Paz e amor na terra.

pedro jp

2 Comentários:

At 8:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

as raízes que conseguirmos (re)inventar para eles... explicando que o cimento é feito com a areia da praia, que agora ocupa o que dantes era natural, que roubou a terra a quem lá estava para que pudesse ser vendida, especulada e dar lucro... que amas e queres paz, e o inconformismo não pode morrer agora. raiz libertária, de quem quer ver a pureza que sufoca por não ter existência permitida*

inês

 
At 12:24 da manhã, Blogger pedrovski said...

queria eu antes mostrar que derrubei os muros de betão e devolvi a areia à praia!

 

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