GAIA - Porto

Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Uma cena do fundo do baú ;O) é histórico!!!

Na secção > Concelho do Porto > Entrevista

População passa ao lado dos problemas de ambiente por falta de informação
"Interesses económicos ditam políticas ambientais"

O projecto do novo pólo universitário da Universidade do Porto, a construir
na Asprela, levanta as maiores reservas aos ambientalistas, devido à alegada
destruição do património natural. Pedro Pereira, membro do GAIA (Grupo de
Acção e Intervenção Ambiental), acusa os interesses económicos de comandarem
as acções políticas. As medidas autárquicas para o Ambiente devem sofrer uma
rotura com o passado, de modo a preservar o que ainda existe, nas palavras
do activista.

Eulália Pereira


Que problemas encontra o GAIA no projecto do novo pólo universitário da
Asprela?

Este projecto levanta reservas no que respeita aos parques de estacionamento
que vão ser construídos e colide com uma política integrada de transportes
públicos. O incentivo ao uso de transporte individual não é a melhor
alternativa. Vai funcionar como um tampão ao uso de transportes colectivos.
Em simultâneo, a construção de vias vai afectar os espaços verdes. Mas as
implicações são mais complexas. Levantam-se problemas ambientais quando há
uma grande área de intervenção.


Uma das críticas dos ambientalistas é a falta de discussão pública que o
assunto mereceu. Porquê?

Esse é um dos aspectos que criticamos. No momento em que o projecto foi
publicado, esta associação ainda não estava criada. No entanto, as
publicações destes projectos passam sempre um pouco despercebidas na opinião
pública. Mais importante do que a nossa opinião é a das pessoas que residem
naquela área, que também não foram consultadas. As decisões são tomadas sem
que haja uma margem de discussão.

O GAIA vê-se com a missão de alertar a população para o que, em vosso
entender, pode acontecer naquele local?

Não só de alertar para o que se vai passar, mas também para o impacto na
qualidade de vida das pessoas, do qual elas nem se chegam a aperceber.


Esperava uma reacção tão pronta da Universidade do Porto às críticas que
apresentaram?

As respostas que houve acabam por ser secundárias, porque o nosso objectivo
passa, sobretudo, por suscitar a discussão pública. Mas o sucesso da nossa
acção só pode ser avaliado a longo prazo.


O arquitecto que concebeu o projecto afirma que vai haver uma grande área
verde, com mais de mil árvores plantadas. Não é o suficiente?

A questão é que a área intervencionada é muito grande, além de que se opta
sempre pela perspectiva economicista de constituir espaços verdes que sejam
aproveitados para actividades humanas. Plantar árvores jovens é sempre a
solução apresentada. O entubamento do curso de água é importante, porque é
um habitat. Entubá-lo destrói toda a sua dinâmica.

Em termos de cidade, o Porto cuida bem do ambiente?

Tem-se assistido a uma acelerada degradação dos valores naturais que
existem. Há um défice de políticas orientadas para as questões do
desenvolvimento sustentado, capaz de levar à criação de uma boa qualidade de
vida. Os espaços rurais que ainda existem no Porto têm sido invadidos pela
edificação. Não há políticas que coloquem um fim aos processos de
urbanização.


As autoridades empenham-se nas questões do ambiente?

O que se passa é que, em vez de se implantar políticas que rompam com o que
o que tem sido feito até agora, continua-se no mesmo sentido. Isso
repercute-se na qualidade de vida das pessoas, porque qualquer que seja a
intervenção no ambiente vai ter reflexos.


Os portugueses estão sensibilizados para os problemas ambientais?

Há grandes carências em termos de sensibilização da população. Em termos
políticos, há uma tendência para prosseguir políticas mais populistas, com
projectos megalómanos. A questão é que há muitos interesses económicos aos
quais não interessa que se faça a educação dos cidadãos. Muitas das pessoas
que estão na política estão associadas a esses interesses. Objectivamente,
não há um grande interesse no esclarecimento da população.


Os cidadãos desresponsabilizam-se por falta de conhecimento?

Sobretudo são desresponsabilizados, porque a única oportunidade de
participação na vida democrática que têm é nos momentos eleitorais. Também
há uma tendência de acomodação por parte das pessoas. No caso concreto da
Asprela, os pequenos agricultores que vão ser afectados pela construção do
pólo universitário não têm voz. O GAIA tenta consciencializar as pessoas
para reivindicarem o que não está correcto...


As políticas ambientais da cidade do Porto merecem-lhe algum comentário?

As políticas que existem estão baseadas em critérios de crescimento
económico. Regra geral, salvo raras excepções, os interesses ambientais
continuam a ser descurados em detrimento de outras prioridades.
Relativamente a este executivo camarário, damos-lhe o benefício da dúvida
pelo tempo reduzido que tem de mandato. De uma forma geral, prossegue com as
políticas anteriores. Há uma ruptura que merece ser referida, em termos de
preservação de alguns espaços e de contenção na volumetria dos edifícios. No
entanto, há que fazer um corte significativo.



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Meta
Agir para mudar

O GAIA é um grupo de defesa do ambiente nascido em 1996, com o objectivo de
fazer frente ao que os membros consideram ser uma grave crise ecológica
provocada pelas actividades humanas. A missão do grupo é criar alternativas
aos modelos que conduzem à degradação ambiental. A acção é a forma de
procurar a ecotopia, com base no ecocentrismo e na justiça social. As
questões ambientais são vistas numa perspectiva holística da sociedade,
indissociáveis das vertentes política, económica e social. O GAIA pretende
trabalhar de maneira criativa, assente na cooperação e não-violência. Com
sede na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa,
o grupo abriu um núcleo no Porto.

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