GAIA - Porto

Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

segunda-feira, março 28, 2005

Massa Crítica admitida no código da estrada



Massa Crítica alentejana tem sinalização nas ruas de Beja :)

uma coisa interessante de se ver foi a quantidade de ciclovias que lá havia, não só dentro da cidade como também em estradas de ligação a aldeias circundantes! ... e no Porto, a marginal, invadindo o passeio dos peões :S

*inês

domingo, março 27, 2005

GAIA News Março 2005



A mais recente newsletter do Grupo de Acção de Intervenção Ambiental está já
disponível ... livre acesso e distribuição.

Livre leitura e impressão, pela livre informação e conhecimento!

Editorial

Num período em que coisas muito importantes sucedem à nossa volta, muitas
delas sem que tenhamos a precisa noção dos seus contornos, é com alguma
impotência que nós comuns cidadãos olhámos para elas, "não podemos mudar o
mundo" pensámos nós e repetem-nos até à exaustão. Será que não? ...

quarta-feira, março 23, 2005


Cartaz do Pic Nic Vegetariano

terça-feira, março 15, 2005

"Os activistas aplicaram vários meios para se aproximarem do objectivo do Movimento de Libertação Animal. Alguns procuraram alertar o público, distribuindo panfletos e escrevendo em jornais. Outros exerceram pressão junto do governo. As associações de activistas promoveram manifestações e protestoS no exterior de locais onde se inflige sofrimento aos animais para servir objectivos humanos menores.

Mas muitos impacientaram-se com a evolução lenta conseguida por estes meios e pretenderam agir mais directamente para fazer cessar de imediato o sofrimento.
Ninguém que compreenda aquilo que os animais suportam pode criticar essa impaciência.
Perante a contínua atrocidade, é muito pouco sentar-se a escrever cartas, há que actuar imediatamente. Mas como? Dever-se-á arrombar as portas e libertar os animais? Isso é ilegal, mas a obrigação de obediência á lei não é absoluta.
Os raids efectuados pelos grupos da Animal Liberation Front em vários países tem sido mais eficazes quando obtém provas da violência exercida sobre os animais, que de outra forma não seriam conhecidas. No caso do raid ao laboratório do Dr. Thomas Gennarelli, na Universidade da Pensilvânia, as cassetes de vídeo conseguidas forneceram a prova que finalmente convenceu mesmo o ministro dos serviços humanos e de saúde que as experiências tinham de cessar.
é dificil alcançar de outra forma este resultado, e só posso louvar as pessoas corajosas que planeram e realizaram esta acção específica."

Peter Singer, "libertação animal"

isto não vem a propósito de nada, apenas espero que vos sirva de inspiração não necessariamente para arrombar portas, mas para intervir de alguma maneira. Eu amanhã já vou fazer a minha parte...

vera

segunda-feira, março 07, 2005

divagação sobre rodas



em paris, apesar de ser uma cidade poluída e, a meu ver, insustentável pelo próprio modelo urbano que admite, esta foi uma das ruas em que menos bicicletas vi... era engraçado ver aqueles autênticos "senhores" de fato e gravata a porem a mala de executivo presa atrás, ou mesmo segurando-a na mão, e seguirem por ali fora até aos respectivos destinos. inclusivamente com chuva. mas a verdade é que lá não faltam ciclovias, mas também só há estradas planas...

estando nós portuenses numa cidade já por si desnivelada, acabamos até por admitir o desnível noutros aspectos da nossa vida. "é normal, para que uns andem à larga outros ficam apertados; é o sistema, é maior que nós e não podemos fazer nada; é a vida, é injusta connosco e só nos resta cruzarmos os braços...". é verdade que sou um pouco céptica quanto ao potencial de melhoria da nossa sociedade, mas cruzar os braços, não! isso é dizer "façam de mim o vosso alcatrão, destruam-me que eu fico passivamente a aceitar que as crianças que vão nascendo precisem de cada vez mais tralhas a tapar os seus corpos, já não chega a roupa que esconde quem verdadeiramente são em prol de uma aceitação social, para se estender a cremes gordurosos para a pele ou máscaras faciais para quem não resiste à poluição que se faz sentir! usem-me, gosto de ser cobaia das vossas estratégias publicitárias, das vossas experiências judiciais, dos vossos caprichos políticos! esfolem-me como o fazem a esse animal que agora tocam ao se sentarem confortavelmente nesse banco, ao pousarem os pés nessa carpete improvisada, ao aconchegarem os pescoços nessa morte injustificada que vos traz o conforto da riqueza exterior... matem-me para aí, que se estou assim é porque me limito a uma sobrevivência precária, e as vossas armas conseguiram cegar-me ao ponto de reconhecer que não tenho vida..."

paris não será muito melhor, possivelmente; mas nós estamos aqui, temo-nos para, no mínimo, garantirmos a prevalência do inconformismo.


*inês

quinta-feira, março 03, 2005

Senhor da Pedra


"Senhor da Pedra" por Sérgio Fortunato


Aqui está um local perfeito para fazermos um forum, pelo menos enquanto não chega o bom tempo, já que nessa altura deve ser uma das praias mais concorridas do Norte...
Penso que é um local que não deixa ninguem indiferente, ate pelo misticismo que tem...
o Senhor da Pedra é em Miramar (Gaia), seria interessante combinarmos fazer um forum nesse sitio um dia destes, para aqueles que acreditam no Forum claro...
Eu sou um deles ;)



Sérgio Fortunato

o ninguém abrigo

deitado junto à porta a dormir o sono mais leve, a agua da chuva entra pela roupa que usas há uma semana... o vento e as costas molhadas torna o frio cortante, entrando pelo corpo até à ultima costela, o teu sono torna-se paralisado com o terror do medo de não aguentar mais!

enrolado nos cobertores rasgados, esburacados, pretos do tabaco que fumas e que te arranca os dentes um a um, olhas a pedir por caridade, por moedas que guardas na esperança de deixar a veia gorda durante a noite!

um olhar distante a pedir por perto, junto das milhares faces que te atravessam ora sorrindo, ora cantando, ora com um olhar triste porque perderam o amor ou talvez o emprego. o teu olhar nem pode ser momentaneamente triste porque a única coisa que podes perder é os teus cobertores que as vezes roubam sem saber que estão rotos e mal cheirosos, o teu olhar é sempre triste e pesado porque o nada que tens a perder significa o pouco que ganhas a não ser a agulha que pica e te mostra a dor mais que conhecida do imaginário de viver a não vida que tens.

o preto e os olhos sem nenhum brilho escondem a beleza por detrás do teu rosto que talvez, nem sei, um dia foi feliz, amando uma mulher e quem sabe um filho que se perdeu...
passo por ti todos os dias e nem sei o teu nome nem como ficaste assim, deve ser porque resisto à tua existência, porque apesar de todo o meu idealismo vejo-te como todos te vêm, como ninguém. a tua existência causaria as maiores dores no peito que subiriam à consciência e responsabilidade de te tirar da rua e cuidar de ti.
vejo-te pela minha janela do meu quarto quente, vejo o teu tremer e as tuas lágrimas que há tanto o tempo já secou...
vejo a minha inércia, a minha incapacidade de agir, de falar, de te dirigir um carinho com medo que deites para sempre lágrimas de sangue...

no fundo tenho medo que existas mesmo, que essa tua dor seja mais que verdadeira e que tenha de desistir de todos os meus confortos em protesto com a cruel vida que te deram...
como pode ser que tantos que vivem e dormem à tua volta se mantêm imunes ao teu nada, ao teu tempo parado na esquina do supermercado?
dias passam e a tua dor toma conta do meu corpo...

tenho a maior das vergonhas deste mundo frio, competitivo, desumano, cruel, cruel, cruel que criamos e aceitamos com a nossa obediência ao conforto!

nota: dedicado a um sem abrigo que vive e dorme na rua mesmo em frente à minha janela...

Pedro G.
http://despairhop3.blogspot.com/

Deep Blue Dream


"Deep Blue Dream" de Sérgio Fortunato

Infelizmente imagens como esta são cada vez mais raras, as obras de arte naturais são cada vez mais raras, são substituidas por algo feio, cinzento, sem vida, se calhar por isso é que cada vez mais dou importancia a imagens como esta, a pequenos "milagres" numa sociedade em que somos cada vez mais privados daquilo que é belo e natural...
;)

Sérgio Fortunato

quarta-feira, março 02, 2005

o verde falso

no outro dia enquanto pisava memórias felizes da minha infância lembrei-me das visitas regulares (todos os anos) que a minha família fazia e faz ao porto santo.

era um sítio pacífico, onde a paisagem é um contraste em relação à madeira (foi onde vivi ate aos 18 anos), enquanto na madeira a paisagem é muito verde e o tempo húmido no porto santo a paisagem é amarelada e o tempo seco. em breve esse amarelo tornar-se-á verde com os gigantes campos de golfe que irão ser construídos para os ricos e turistas se divertirem. Não tenho nada contra o verde, tenho sim contra a descaracterização dos sítios e contra o golfe em si, é um desporto que exige demasiado das paisagens transformando-as ocupando espaços enormes além das enormes quantidades de agua necessárias para que a relva fique em estado perfeito…

no porto santo virão barcos da madeira carregados de agua para abastecer os campos de verde falso, como se a agua fosse muita na madeira para dar-se ao luxo de tal coisa (quantos há sem agua e saneamento básico?). Muitos, dizem felizes e contentes da vida que os campos vão ocupar quase toda a ilha, ficando só a praia… há quem diga que o porto santo é só praia e boas discotecas à noite… agora, para quem tem muito papel e metal também haverá golfe!

imagino agora as minhas viagens de barco até ao porto santo… ao longe em vez do amarelo com as pequenas pintas de verde que espreitam nos picos verei o verde da mentira, o verde falso, o verde da riqueza, do luxo.

como era bom antigamente passear na ilha de bicicleta, nem era necessário semáforos porque quase não havia transito, agora no barco que vai da madeira ao porto santo tem espaço para automóveis, todos podem levar o seu carrinho para que não falta nenhuma das comodidades do mundo moderno… a ilha enche-se de grandes hotéis já quase mais altos que os todos os picos, de paraíso de todos para paraíso dos ricos assim se transformam os sítios… nem o tão longe porto santo escapa a esta forma de vida parasitaria, de vírus que espalha a falsidade, o betão, os automóveis, os campos de golfe…

enquanto visitava a minha infância pensei para mim será que um dia vou poder levar os meus filhos a algum sítio livre destas invasões parasitárias? será a terra infinita? o que podemos nós jovens idealistas fazer para que este pesadelo termine?

uma coisa eu sei, ou é fim de tod@s ou é o fim dos ricos, eu luto pela segunda hipótese…

pedro g.
tirado de http://despairhop3.blogspot.com/