GAIA - Porto

Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

sábado, abril 30, 2005

Desliga...e liga-te

Sexto Dia

Hoje dei por mim a pensar "ja passou quase uma semana?", sinceramente quando comecei esta pequena aventura pensei que ia ser algo bastante penoso, quase masoquista até, estava um pouco receoso com o facto de não saber muito bem o que fazer com tanto tempo livre.
Mas não, esta experiencia está a ser das melhores coisas que me aconteceram na vida, se no principio ainda pensava "o que será que esta a dar na tv a esta hora?", ou "acabou de começar a quinta das celebridades" , agora nao penso sequer nisso limito-me a viver o dia a dia...
Ainda hoje de manha levantei-me, tomei o meu pequeno almoço, e fui fazer uma coisa que ha muito não fazia, correr, é incrivel como estes dias mudaram tanto a minha vida, sem me aperceber tinha entrado numa rotina bastante prejudicial para mim, não só intectualmente mas fisicamente também.
Depois de tomar um duche, fui almoçar com uns amigos, e a certa altura em quanto eles falavam do programa que viram na noite passada na tv eu pensava nas paginas com que me deliciei do livro novo que comprei, quem diria que um livro fosse muito mais interessante, me fizesse"viajar" mais do que um daqueles filmes rascas que a tvi passa repetidamente 3 vezes no espaço de 2 meses.
No final da tarde resolvi ir dar uma volta pela praia, sentir os grãos de areia nos meus pés, sentir a brisa a bater no meu cabelo, e desfrutar de uma das coisas que temos oportunidade de ver todos os dias e não damos o devido valor, o por-do-sol, acho que estes anos todos “passados em frente a uma tv”, “intoxicaram” um pouco a minha mente, afastei-me um pouco daquelas coisas que realmente me davam prazer, acho que vivia um pouco num estado vegetativo e nem me apercebia do meu estado, nunca me senti tão vivo como me sinto agora...
Voltei para casa com a minha alma completamente renovada, depois de jantar deitei-me na cama a ler mais uns capitulos dos "Anjos e Demónios" de Dan Brown, depois de escrever estas ultimas linhas vou para a terra dos sonhos, sonhar com anjos...e demónios...

João Marques

sexta-feira, abril 29, 2005

quinto dia


Eis o meu quinto dia sem o recurso à “caixinha”. Como me sinto? Leve, feliz, EU! Fez-me bem ter ido sair ontem, ter dado uma volta por aí... Cada vez me apercebo mais da insignificância daquele objecto. Quão ridículos são os programas que nos fazes ver! Estou tão bem sem ti! Saio mais, já não estou preocupado em ter de despachar as pessoas com quem estou só porque chegou a hora do meu programa de TV preferido. Assim, a tua ausência dá-me mais vontade de conhecer pessoas e até a mim mesmo - o que nunca tive vontade de fazer dada a tua companhia (leia-se solidão). Tenho feito descobertas fantásticas ao deixar-me levar até ao âmago do meu ser. Uma das coisas mais importantes que tive a oportunidade de recordar foi o prazer de me divertir. Os colegas lá do trabalho já começam a ver a minha “mudança” como algo menos anormal. Houve lá um que até me disse que estava interessado em tentar mudar também. Fico feliz por isso. Pelo menos, sei que a minha atitude está a trazer coisas boas. Só espero que adiram mais pessoas. Sim, porque se “o homem está condenado a ser livre”, poderemos excluir a triste hipótese de que o homem está condenado a ver televisão?!

João Marques

quinta-feira, abril 28, 2005

4º dia

28 de Abril de 2005

Ao quarto dia sem TV, tenho de confessar, estou a sentir-me um bocadinho desesperado. Estou um pouco vazio do que costumo receber, mesmo que o que recebo habitualmente seja lixo. Isto porque tento fazer coisas diferentes, estar com pessoas, sentir por mim e não por aquilo que me querem impingir, mas não consigo! Bloqueio! Parece que me habituei a que me ditassem a minha própria conduta...
E, entretanto, ponho-me a pensar: sou um viciado, a minha droga é como as outras. Ninguém a entende, mas é raro quem abdica dela. Estando constantemente preso, se me vejo livre fico de tal forma perdido que acabo por não me aperceber da totalidade de coisas que posso fazer, que tenho intrinsecamente a capacidade de fazer, que posso percepcionar, interpretar, criticar... Mesmo sem ser elegante como aquele apresentador do telejornal, aprumado como o outro actor ou culto como aquele comentador - sou eu, e isso custa ter de assumir sempre...
O meu dia não foi muito diferente do "habitual recente". Fui para o trabalho, os meus colegas continuam meios incrédulos face à minha resistência - mas questionaram algumas coisas! Perguntaram se eu acho que, por aguentar esta semana, irei realmente mudar o meu conceito de TV. Respondi que sim, mas pensei que até o meu próprio conceito de prioridade vai mudar... E também perguntaram se eu acho mesmo que vou mudar alguma coisa significativa no mundo. Não me apeteceu responder-lhes.
Estou irritado. Se calhar, se visse uma série americana a coisa estancava. Eu esquecia-me que estou irritado e nunca entenderia que me entrego à máquina, qual robot, à espera que alguém me viva.

Estar assim faz-me sentir vivo. Tenho energia, muita energia acumulada! Vou sair. Não sei bem até que ponto a caixinha metálica do computador não me remete para a realidade da outra caixinha metálica que é a TV. Por isso, vou passear, convidar alguém para me ouvir e para eu ouvir, para nos olharmos e sentirmos que não somos tele-programáveis. Que somos nós.


João Marques

quarta-feira, abril 27, 2005

terceiro dia

Mais um dia passou sem a influência da televisão na minha pessoa. Alguns colegas de trabalho com quem falei sobre a semana sem TV não entenderam porque me submeti voluntariamente a este "teste". (eu prefiro chamar prova de resistência)
Disseram-me que não adianta nada optar por manter a caixinha desligada, isso não vai melhorar a qualidade dos programas nem nada disso...
Eles não entenderam, por muito que eu lhes tentasse explicar que o objectivo era por as pessoas a pensar sobre a influência que "a televisão" tem na vida de todos e de cada um.

Cheguei a casa ao fim da tarde e passei sempre em frente pela sala, não parei em frente ao ecran.
Já ouvi os meus familiares contarem como era antigamente, quando não havia televisão, as pessoas usavam o tempo livre de outra maneira, passeava-se mais, havia muito mais convívio e até relações de amizade entre vizinhos.
Hoje as pessoas chegam a casa, ligam a televisão e pronto.

Eu continuo ainda um pouco confuso, não sei bem o que fazer com o tempo livre que antes ocupava também em frente á televisão.
Acho que nunca me tinha apercebido do enorme espaço que (até involuntariamente !)a TV ocupa no meu dia a dia...

terça-feira, abril 26, 2005

Semana sem TV – 2º Dia

Acordei bem cedo. Depois do longo fim-de-semana, hoje é dia de trabalho. Ao tomar o pequeno-almoço, ainda tive o impulso de ligar a TV. Cheguei a carregar no botão, mas quando olhei para o comando lembrei-me de que hoje era mais um dia da semana sem TV. Senti-me um pouco estranho, ir para o trabalho sem ver as notícias?! Será que aconteceu alguma coisa importante? Ao seguir no carro em direcção ao emprego, apercebi-me do ridículo das minhas interrogações, uma vez que, após tê-lo ligado, ouvi a voz do comentador da rádio a dar as notícias mais recentes. Pensei quão estranho nunca me ter apercebido que todos os dias antes do trabalho ouvia a informação de forma quase repetida.

Agora, depois de um longo dia de trabalho, pus-me a “filosofar” acerca de qual seria a verdadeira influência desta semana sem TV. O dia parecia ter mais horas, tive tempo para fazer muitas coisas que sempre pensei em fazer mas dizia para mim mesmo que não tinha tempo. Um exemplo foi meditar. Tinha estado a ler um livro, “Poder da Mente” de Dr. Vernon Coleman que explicava os benefícios que poderia trazer a meditação, nomeadamente, ao nível da eliminação do stress. Sempre pensei em experimentar mas o comodismo de me sentar em frente ao televisor cada vez que chegava a casa impedia-me de me aventurar a fazer algo diferente. Também constatei que a quebra de rotina pode ter influências muito positivas sobre a nossa atitude, podendo abrir-nos novos horizontes, sendo que é importante filosofar sobre o que fazemos no nosso dia-a-dia para nunca estagnarmos e ficarmos dormentes às maravilhas da vida.


Mesmo assim, apesar das influências positivas que esta semana me tem dado, julgo que uma semana sem TV é apenas uma pequena parte de todas as coisas nos dias de hoje, que nos mantêm presos a uma rotina vazia, já sem um único objectivo, a não ser o de nos manter entretidos, confortáveis, apáticos. Seria preciso uma semana sem TV, sem trabalho, sem rádio, sem internet, sem carro e sem muitas outras coisas que nos mantêm mais afastados da luta social e ambiental, das relações humanas, de modo a que podessemos aspirar por uma vida mais verdadeira e uma sociedade mais justa.

João Marques

24 horas

Volvidas 24 horas sobre o início deste desafio salienta-se sobretudo a ausência ... a ausência do som da TV. Cheguei a casa vindo do campo, a minha avô tinha a TV acesa, claro, na tvi. Vindo do campo, do silêncio absoluto das árvores e das folhas, foi como uma onda de ruído varrendo o espaço que veio em minha direcção. Por outro lado ía já em direcção ao sofá mesmo em frente ao ecran, iria se fosse como noutro dia qualquer ... dissolvendo nas imagens televisivas o efeito das imagens dos montes que trazia ainda retidas nos meus sentidos.

hmm, creio que em breve me vou deitar e talvez sonhar com minhas próprias imagens, minhas como quem diz, as imagens que a natureza hoje me concedeu ... ;O)
Que programa estará a dar na sic agora ;O) ?

João Marques

à 24 horas e 35 minutos sem ver televisão


tv turnoff

segunda-feira, abril 25, 2005

Em direcção ao campo ...

25 de Abril

Em direcção ao campo ...

O primeiro dia de abstinência audio-visual ... hmmm, pensando bem talvez a expressão não seja a mais apropriada ... o meu dia foi repleto de imagens e sons, ainda que, pelo menos até agora, totalmente desprovido de televisão. Primeiro dia de abstinência televisiva, creio que assim estará mais correcto.
Hoje fui para o campo. Sempre cresci e vivi na cidade, ainda que isso seja um tanto irrelevante na perspectiva televisiva; a televisão compete com Deus no dom da ubiquidade ;O)
25 de Abril, dia da liberdade, e a liberdade não é muito sincera entre blocos de cimento e persistentes ruídos urbanos, ou depende, depende daquilo que somos capazes de acreditar. Para todos os efeitos fui para o campo, tomei o comboio e fugi da cidade.
Ainda antes de partir apeteceu-me ligar a TV, tal como sempre faço ... ao não o fazer não estava a lutar com um mero desejo mas na realidade com aquilo que percebi em mim como um instinto, um acto mecânico e automático, um gesto contido em mim quase tão inato como respirar. Tudo muito bem não fosse esse pequeno detalhe de necessitar de ligar um aparelho para conceber a minha própria realidade ... não fosse esse detalhe de me ter sentido privado de algo tão intrínseco ao meu quotidiano: “on” e as imagens a chegar, as vozes do apresentador ... Normalmente vejo sempre as notícias, para saber como vai o mundo talvez ... mas porquê vai então o mundo sempre na mesma? A informação não nos deveria tornar indivíduos mais conscientes, capazes de viver outro mundo? Então porquê o inverso? Porquê nos faz os mesmos indivíduos, as mesmas atitudes, as mesmas notícias, os mesmos reclames ... mais do mesmo à distância de um mero “ON”.
Mas não sei viver sem esse “mais do mesmo”, pensei hoje de manhã ao ver-me privado dele, não sei simplesmente porque nunca vivi ... Não vi as notícias, e senti-me como se não houvessem notícias ... como se a realidade do mundo, fora do contexto restrito do meu dia-a-dia, se tivesse dissipado no vácuo. Terá sido realmente assim? Óbvio que não. Creio que o moral da história, ou pelo menos uma delas, foi chegar à conclusão que a realidade do mundo, a minha realidade, é a realidade de um botão “ON”, com tudo o que isso implica. E nem faço muito bem ideia do que isso implica, tenho de admitir.
Lembro-me por exemplo do caso da Ponte de Entre os Rios, e na obscena exploração televisiva que foi feita da tragédia daquelas pessoas, dos picos de audiência ... hoje Entre os Rios vale um mero cabeçalho de uma remota página de jornal ... será que os actores que serviram ao grande show noticioso deixaram de ser reais? Será que a sua tragédia e a pertinência deste caso deixou de ter “interesse jornalístico”? Ou será que essa tragédia já deixou de ter valor comercial de “prime sharing”? E infelizmente por esse mundo fora não faltam tragédias que é preciso lembrar, condenar, pensar, reflectir ... hoje não vi o telejornal, pelo menos até agora, mas se o visse provavelmente sei que ele começaria com algumas novidades políticas, ou desportivas, eventualmente não por essa ordem. As tragédias só dão audiência até certo ponto, depois tornam-se aborrecidas, as audiências exigem novos conteúdos para saciar a sua fome de realidade. Realidade? Que parte dela? Que perspectiva dela?
Parti de comboio em direcção ao campo. Pelo caminho olhando pela janela vi traços ainda vivos, já letárgicos, de um passado rural cada vez mais remoto nas grandes cidades. Porquê passado? Porque o futuro tem de parecer com uma auto-estrada, de pouco nos importa a nossa velocidade ou o som, a côr, o odor, do que está fora do carro, ou de como ficam transformadas as paisagens à velocidade de 130 km, como se deixa de sentir os pormenores além do conta kms.
NA estação ouvia as pessoas falar. Era de futebol que as pessoas falavam. Se lesse “O Principesinho” talvez ele dissesse: “ As pessoas crescidas falam do futebol não como um desporto que se aprecia mas como toda a sua vida dele dependesse para fazer sentido”. Se perguntasse às pessoas que falam de futebol, e sobretudo de futebol, quem elas eram, de onde vêm, para onde vão, provavelmente diriam sou benfiquista, ou sportingquista, ou portista, venho da minha terra e vou ver a bola. E não é por acaso que a Bola é o jornal mais vendido em Portugal. Não é também por acaso que as audiências se agitam em reboliço com o futebol, pelo menos em Portugal.
Senti-me sozinho, não tinha visto o futebol, e senti-me como se não tivesse nada para dizer àqueles dois velhotes. Ou tudo o que teria para lhes dizer, ou eles a mim, se resumisse em menos de 5 minutos. Um jogo de futebol leva 90m.
Um pouco depois reparei como os passarinhos cantavam. Fazia muito tempo que não reparava nos passarinhos assim a cantar, pelo menos sem ser num anuncio publicitário. Cantavam, como se fossem indiferentes à realidade dos telejornais, mas no fundo, se calhar, estão ainda mais atentos que qualquer um de nós, e por isso cantam como sabem, e nada sabem de futebol ou de casamentos reais.
Moral da história: Os passarinhos não vêm televisão e parecem muito felizes ao cantar, pelo menos quando não estão presos em jaulas ;O)

João Marques
à 21h sem ver televisão

domingo, abril 24, 2005

Na Semana Sem TV (25 de Abril a 1 de Maio) ...

24 de Abril de 2005

Na Semana Sem TV (25 de Abril a 1 de Maio), GAIA lança desafio e promove
"Reality Show"

Provavelmente, todos sabemos que a televisão adquire um papel central no
nosso quotidiano e na forma como se estrutura toda a "nossa realidade".
Contudo, eventualmente, nunca nos colocámos a questão mais contundente: Que
papel?
É precisamente com o intuito de lançar essa questão - no âmbito da Campanha
Internacional TV Turnoff Week, lançada à escala global pelos AdBusters -
que o GAIA apela a uma semana de abstinência televisiva.
O que se propõe é uma semana de reflexão sobre um dos mais eficientes meios
de comunicação mas
também o que a sua alienação provoca, ou seja, como de um mero objectivo
lúdico a televisão evoluiu até hoje na direcção de ser um objecto capaz de
definir toda a nossa realidade social e condicionar milhares de pessoas em
todo o planeta.
Hoje em dia já não sobra tempo para a indignação, qualquer actividade social
ou colectiva para além da vida atarefada de cada um. Ao fim de um dia de
trabalho as estações de televisão apresentam-nos ilusões e soluções
rápidas.
É uma excelente maneira de obter a obediência e a inércia colectiva, já que
o telespectador de maneira natural, geralmente, absorve tudo o que a caixa
mostra sem
questionar ou duvidar, simplesmente "consumindo" de forma mais ou menos
passiva conteúdos televisivos.
Se "o que não aparece na televisão não acontece" então poderemos concluir
que tudo o que aparece na televisão é credível. Isto obviamente não é
verdade. Os conteúdos televisivos são normalmente condicionados, ocorrendo
uma selecção tácita do que é susceptível de ser consumido e, por outro lado,
do que não devemos ver, tudo aquilo que poderia ser prejudicial à realidade
social , económica, e política que nos é impingida e em relação à qual não
se admitem consideráveis dissidências.
É extremamente difícil encontrar programas de alguma qualidade, tão
escondidos que estão no meio de informação tendenciosa e lixo televisivo que
se apresenta sob várias formas, e que empurra o incauto cidadão comum para a
teledependência, a acomodação e a passividade.
A televisão é uma caixa de poluição mental, feita para produzir lixo
a uma escala super-industrial, mas, acima de tudo, feita para produzir
passividade.
A televisão é, por excelência, o meio de comunicação superficial e
simplificador que só aceita e reproduz os discursos binários.
A televisão é o meio de comunicação de que precisam os publicitários
e os empresários para reduzir os seres humanos a simples consumidores.
Todos estes aspectos, entre outros, adquirem proporções em relação às quais
não possuímos exacta noção.
Por tudo isso, e muito mais, A Semana Sem TV é um bom momento para
reflectirmos e adquirimos consciência.
Por isso lançamos o desafio: Tenta! Por uma semana, tenta afastar-te da
caixa "mágica" e olha o mundo que te rodeia com teus próprios olhos.
Para além de uma semana com o botão televisivo no "off", no período em que
irá decorrer esta campanha, o GAIA irá contar com a colaboração de João
Marques, um ávido consumidor televisivo que aceitou responder ao desafio do
GAIA e que irá estar uma semana sem ver televisão, as suas impressões e
experiência irão ser publicadas no Blog do GAIA - Porto, em
http://gaia-porto.blogspot.com/
O mundo precisa de ser transformado e para isso, antes de tudo o mais, é
importante transformares a visão que tens do mundo, para que não seja,
quadrada, unilateral, condicionada e apática.
Esta semana, directamente da nossa realidade, vamos perguntar como.
24 de Abril de 2005
GAIA
Mais informação disponível em:
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental
_ _ _ http:\\gaia.org.pt
"Be the change you want to see" _ M.Gandhi


tv turnoff

Faltam alguns instantes para desligar a minha televisão ...
Este momento, para mim, é sobretudo de contemplação, à minha frente uma semana inteira sem ligar a Tv, é esse o desafio que, desprovido ainda de exactidão, me parece acessível ... e no entanto ... uma semana???
Mais do que a semana à minha frente penso nestes 23 anos atrás de mim. Pensando bem nunca estive uma semana sem ver televisão, se calhar nunca tive mais do que 2 ou 3 dias sem ver televisão, sobretudo tendo a opção, tendo o botão "on" ao alcance dos meus impulsos de sempre.
Olhando para trás compreendo que tanto e tanto da minha estória pessoal de faz de incontáveis horas em frente à televisão, devorando séries, estórias feitas para mim por hollywood, jogos de futebol, reality shows. .
A televisão acompanhou-me em todos os momentos da minha vida, desde que nasci (podia acreditar convictamente que existe desde sempre) não sei se é bom ou se é mau, é apenas um facto incontornável ...
Vou ter saudades dela, e ainda nem me despedi ...
Como será estar sem ela? Se ela sempre foi a minha sombra em muitas noites solitárias ...
Pela televisão vivi até hoje muitas vidas ... vidas construidas para mim. Vivi muitas vidas ... será que por isso deixei em tantos instantes de viver a minha própria vida?
Será que?

João Marques
(ainda com a Tv "on")

sábado, abril 23, 2005

Experimentação Animal

Não tenho a certeza em que dia de Abril (21 ou 24) se assinala o dia mundial do animal de laboratório, mas como se sabe estes dias servem apenas para despertar consciências, uma vez que o trabalho a ser feito não se pode resumir num dia, mas tem isso sim, de ser feito ao longo de todos os dias do ano. Uma chamada de atenção para todos e cada um dos animais que estão neste momento aprisionados, dentro de laboratórios pelo mundo inteiro. Lembro-me dos milhões que morrem vítimas do bisturi, das intoxicações, dos vírus. Vejo-os para não perder a força de continuar a lutar contra a exploração animal. Para todas as pessoas que já partilharam a sua casa com um animal doméstico, ou viram familiaridade nos olhos de um primata, as atrocidades da vivisecção são horríveis. Não é justo que feches os olhos perante tamanho horror. Se sentes tristeza ou raiva perante esta situação faz algo que traga realmente efeitos práticos. Se está ao teu alcance escrever alguns e-mails de protesto, e não comprar produtos testados em animais, esse é o poder de mudar o mundo, o poder que tens nas mãos, usa-o!
lista de marcas e empresas para que saibas toda a verdade

http://www.lpda.pt/01campanhas/listagem_empresas.htm




vera

terça-feira, abril 19, 2005

activistas portuguesas em Bruxelas

Duas activistas do GAIA actualmente fora do país, fizeram parte de uma enorme e pacífica acção de protesto em Bruxelas.


Este fim de semana, como alguns de vocês sabem, decorreu o Bombspotting XL (se quiserem saber mais pormenores http://www.bomspotting.be/). Começou por ser organizada por 2 associações, uma delas a For Mother Earth. Este ano chamaram-lhe Bomspotting XL, por ser a maior até hoje, em 3 locais em simultâneo: Kleine Brogel (onde estão armazenadas armas nucleares americanas), a sede da NATO em Bruxelas e SHAPE, a base militar da NATO, em Mons.

A acção é totalmente não violenta, e consiste em entrar nestas bases para chamar a atenção do público em geral da posse de armas ilegais na Bélgica e a posição da NATO.
A organização da acção recomenda os activistas a participarem em acções de formação que decorreram no dia inteiro anterior ás acções. Com a formação pretede-se igualmente que os activistas decidam as suas acções e até onde estão dispostos a ir. Ninguem é obrigado a nada e muitas são as formas de colaborar.

O dia antes
Foi obviamente passado em "formação". A formação foi dividida em 4 partes: acção (o que está previsto, histórias passadas), a Lei Belga, simulações de possíveis situações e finalmente como saltar as vedações!!
Seguiram-se os trâmites legais, todas as possíveis consequências de participar nesta acção, as razões pelas quais seríamos presos, como seríamos e o que a polícia nos podia fazer. Nada ali foi deixado para trás e todas as hipóteses foram ponderadas. Nesta fase explicaram-nos também como reagir á polícia, no caso de sermos presos. Nunca fugir, correr e sempre SEM VIOLÊNCIA de qualquer tipo.

O Dia
Sábado começou com uma reunião de todos os activistas. Foram explicados os últimos detalhes. Ainda nesta fase foram-nos dados os mapas da bases, no nosso caso: o da Nato, um mapa de Bruxelas, uma declaração (em holandês) e respectiva tradução (em inglês) para entregar a polícia. Esta declaraçäo serve como queixa (da presença de armas nucleares) e foi previamente escrita por um grupo de advogados que apoia legalmente a acção.
Ainda os números de contacto em caso de algum problema, a localização do ponto de encontro (após a acção), os números dos advogados, médicos entre outros. Aqui assinámos igualmente um documento em como declarávamos que estavámos cientes que iríamos praticar um acto de desobediência civil, que nos comprometíamos a manter uma postura de não violência, não levaríamos armas ou qualquer tipo de objectos ilegais.

Mal chegamos a Bruxelas o nosso autocarro foi detido pela policia, que nos escoltou até á chamada zona de Free Speech, onde aí nos poderíamos manifestar. Saímos do autocarro e fomos tentar aproximar-nos da vedação da base. Rodeados pela polícia a nossa acção não durou mais de 45 minutos. Apareceu um policia que olhou para nós e nos disse para não nos mexermos. Quando olhei para a cara dos outros tinhamos todos um sorriso na cara como quem diz: Game Over.

Um segundo policia apareceu e vinha bastante alterado. Escorregou por entre a vegetação, o que fez com que ficasse ainda mais enervado. Gritou e refilou....no final da acção pediu desculpas a uma activista pela maneira como nos tinha abordado.
Os policias não foram minimamente agressivos connosco. Foram simpáticos e sorridentes. Na sua maioria eram miúdos, que devem ainda andar na academia. Seguiram-se algumas formalidades como as algemas e a identificação. No caminho para a prisão parecia que íamos num autocarro para a escola, todos a falar e contar piadas. Os policias riam-se connosco e sorriam.

As pessoas á minha volta estavam calmas, trocavam-se sandes, cantavam-se músicas em todas as línguas e de tempos a tempos alguém perguntava se estavamos todos bem. Pessoas de todas as idades participaram na acção. Miudos de 12 anos, avós de 60, malta melhor ou pior vestida, deputados do parlamento europeu...enfim....juntos por uma causa e todos presos.
Das diferentes celas contavam-se piadas, cantava-se, ria-se faziam-se jogos. Os policias riam-se igualmente... assim passaram as 3 horas que estive presa.

No final explicaram-me, tal como já o sabia, que fomos presos por pensarem que teriamos a intenção de entrar em território privado, (Nato) e que a nossa prisão foi administrativa, ou seja, apenas poderia ser presa por um máximo de 12h e não ficaria com qualquer tipo de registo criminal ou judicial.

Na prática a nossa acção teve vários efeitos: os 3 locais foram fechados durante um dia inteiro. Imensa policia e recursos foram para ali desviados e acima de tudo a atenção mediática de vários paises. Milhares de queixas foram entregues nesse dia e cerca de 400 pessoas de várias nacionalidades presas. Sob a enorme ameaça das armas nucleares...esta acção é um pequeno passo.
No final, depois de sermos libertados encontramo-nos todos num centro municipal em Bruxelas, foram apresentados os resultados globais da acção e todos os activistas estavam bem. Ninguém foi magoado ou brutalizado pela policia em toda a acção.
Á noite quando me deitei respirei de alívio mas com o sentido de que tinha feito algo útil e global. Não o fiz de cabeça fria, fi-lo ciente e acompanhada por muita gente que tal como eu acredita num mundo de paz sem espaço para armas.
E assim fica um relato de uma acção que me ficará para sempre na memória.

Em http://www.indymedia.be/news/2005/04/95675.php podem ver uma entrevista comigo e com a Diana.

Life is full of Possibilities!!

Nocas

domingo, abril 10, 2005

PicNic Vegetariano


realizou-se no dia 3 de Abril no Parque da Cidade entre as 12 e as 20 horas
um pic nic vegetariano que incluíu:

*demonstração de fornos solares feita por Armando Herculano
*workshop sobre reciclagem de alimentos feita por Gopala e Govinda do
restaurante "o oriente no Porto"
*conversa entre todos sobre algumas das razões que levam ao
vegetarianismo/veganismo entre elas:
- preocupação com a saúde
- preocupação com o ambiente
- direitos dos animais
- espiritualidade

durante o dia tivemos em exposição algum material informativo sobre o GAIA
(eventos e campanhas) e outras associações com objectivos similares