GAIA - Porto

Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

terça-feira, setembro 06, 2005

"A força da simplicidade é enorme"

"A força da simplicidade é enorme"

Alicia Zárate
entrevista em:
http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=63939&cidade=1


“A água, indispensável à vida, converteu-se rapidamente nos últimos anos em um grande negócio, principalmente das grandes multinacionais. E está desaparecendo. A escassez da água em escala mundial representa uma das maiores ameaças ecológicas, económicas e política do século 21. E é essa trama capitalista que a artista plástica da Argentina, Alicia Zárate, vem denunciando nos últimos cinco anos, com o projecto “Água, Ouro Azul”. Recentemente ela esteve na Europa divulgando esse trabalho, e na volta concedeu à ANA a entrevista seguir, onde ela fala de água, ecologia, anarquia, corpo, simplicidade...

ANA > Já que estamos falando em simplicidade, nessas suas andanças pela Europa, percebeu maior brutalidade desses povos brancos, instruídos e ditos civilizados? Seria absurdo um anarquista gritar "libertemo-nos dos povos civilizados da Europa!"? (risos)

Alicia < Me chamou a atenção e me comoveu a desconexão com a Natureza, os mau tratos. Arvores mutiladas - me pergunto de onde vêm esse costume de podar árvores? Móveis de madeiras maciça no lixo! Essa madeira provem de uma árvore que levou seu tempo e esforço para crescer, consumiu água etc. Centenas de imagens de destruição vêem a minha mente. O aumento do consumo de alimentos industrializados; o desperdício com embalagens - packaging lhe dizem - e de matéria prima: couro, madeira, alimentos em quantidades enormes; o aplainamento de montanhas para construir estradas, a retirada das pedras e mármores para satisfazer o ego de quem paga; a manipulação da Natureza e do corpo humano. A discriminação, os controles, tudo vídeo-vigiado, é alucinante; por momentos me parecia estar vivendo "1984" de Orwell, ou o filme "Brazil", de Terry Gilliam. A história européia é uma sucessão de guerras, o nível e qualidade de brutalidade é diferente do que sofremos nesta região do mundo. Não é a cor da pele, nem uma região do mundo, senão o pensamento, Moésio. Eu gritaria "libertemo-nos do antropocentrismo!", "Sejamos índios brancos!", "Recuperemos a poesia!" Afinemos nosso corpo como órgão de percepção. Poesia entendida como momento de sinceridade, de ingenuidade, que nos permite ser .

Quando abri a janela
Eu vi um passarinho
Cantando na chuva.

Mesmo com chuva
O passarinho cantava.
Que dia feliz.

> uma criança <

http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=63939&cidade=1

Agência de Notícias Anarquistas- ANA

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