GAIA - Porto

Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

terça-feira, outubro 04, 2005

O confronto evidente com a morte

Estas ideias surgiram-me como um relâmpago, depois de ter conhecimento de um gato
atropelado que foi encontrado por uma amiga minha e uma amiga dela.

Todos temos, uma ou outra vez, ataques súbitos de bondade ao deparar com um caso urgente em que somos quase obrigados por uma força superior a intervir e "fazer o bem".
Duas jovens encontraram na rua um gato atropelado e com toda a boa vontade do mundo, levaram-no a um veterinário e pagaram o seu tratamento.
Foram advertidas porém que o animal precisaria de cuidados permanentes durante os primeiros dias para conseguir sobreviver aos ferimentos.
Soube desta história quando me telefonaram a expor o caso e a pedir se eu não podia ficar com o gato, apenas por uns dias, que depois ele seria devolvido á rua.

Sabendo de antemão que nenhuma das duas poderia ficar com ele, o que leva pessoas comuns a tentarem desta maneira salvar um animal, pensando, na sua compreensível inocência que tudo ficará bem se o gato for novamente posto na rua depois de estar devidamente recuperado do acidente?

Confesso que não sei.

Esta é apenas um exemplo dos comportamentos do tipo "tratar o sintoma em vez da doença", ou seja, mascarar o problema com soluções fáceis em vez de o cortar pela raiz.

Porque razão estas duas amigas não foram capazes de optar pela solução difícil, eu sei por experiência própria, de abater um animal e evitar assim mais sofrimento futuro a um ser que possivelmente já nasceu na rua, ou foi abandonado por quem não o queria, e vai certamente enquanto viver, deixar bastante descendência, perpetuando assim o autêntico flagelo dos animais errantes?

A resposta penso eu, estará na aversão que nós, animais humanos, temos da morte, esse momento fatal em que tudo se acaba, esse momento que preferimos tentar esquecer que existe.
Estas duas pessoas que tão prontamente socorreram um animal, talvez prefiram ignorar que todos os dias alguns animais são mortos unicamente por sua causa.
Então e esses, não merecem ser salvos? Apenas porque nunca vimos a sua agonia, só nos cruzamos finalmente com eles na hora em que nos chegam ao prato, aos armários de medicamentos, de produtos de beleza, de roupa?

Pois são precisamente esses que mais facilmente podemos ajudar, com as nossas decisões diárias enquanto consumidores.
Porque motivo então são tantas as pessoas que afirmam a sua dedicação aos animais, mas voltam depois as costas a todos os inocentes que por nossa causa morrem todos os dias, a toda a hora?
Para mim trata-se no fim de contas do confronto com a morte.
Custa muito ver um gato atropelado numa berma, mas os outros não os vemos nunca, por isso é como senão existissem.
Lá diz o povo na sua imensa sabedoria “mais cego é aquele que não quer ver”.

vera

4 Comentários:

At 1:34 da tarde, Blogger insensivel said...

O tema é, no mínimo, polémico. No entanto, não devemos ser nós, já demasiadamente moduladores do mundo que nos rodeia, quem deverá determinar mais ainda o rumo de algumas naturezas que destinadas estão a errarem no mundo.
Tal como não eutanasiamos vagabundos nem tampouco lhes alteramos a rotina, nem todos os gatos estão destinados a viver dentro de casas quentinhas e a ser alimentados com ração. Não nos podemos esquecer de que na realidade os animais são seres selvagens e de direito à liberdade.
Nós estamos a ocupar o lugar de tudo e de todos.
Sei que a ideia de salvarmos alguém ou algum animal da morte é algo incoerente com a ideia de o lançarmos novamente para o vazio de onde veio. No entanto, talvez o façamos por nos sentirmos responsáveis não por aquele estado de autonomia que não conseguimos compreender, mas pela interrupção àquela rotina e pela intromissão num modus operandus diferente do nosso.
Não pretendo marcar uma posição. Apenas gostaria que as coisas fossem vistas de uma outra perspectiva.
Afinal, eles também cá andam connosco, ou nós com eles!

 
At 10:51 da tarde, Anonymous alternative transportation said...

If achieving a sustainable community environment in part through the utilization of ebikes or related instruments or issues has merit to you, write jhrmsy@yahoo.com to explore commonalities for possible collaboration. I am certain ebikes will play a meaningful role in any worthy future community endeavor. My bona fides can be assessed at http://www.myebikes.com. Thanks for allowing me a look see at what interests you.

 
At 10:11 da tarde, Anonymous appropriate technology said...

electric bicycles and related concepts and issues should be at the forefront of any responsible social discourse. If you share this view, contact jhrmsy@yahoo.com to discuss commonalities and possible collaboration. Any future sustainable community will of necessity need to include electric bicycles as part a workable infrastructure. My beginning entry into cyberspace can be found at http://www.myebikes.com. Thanks for the look see at what interests you.

 
At 6:39 da tarde, Anonymous ebikes said...

If achieving a sustainable community environment in part through the utilization of ebikes or related instruments or issues has merit to you, write jhrmsy@yahoo.com to explore commonalities for possible collaboration. I am certain ebikes will play a meaningful role in any worthy future community endeavor. My bona fides can be assessed at http://www.myebikes.com. Thanks for allowing me a look see at what interests you.

 

Enviar um comentário

<< Home