GAIA - Porto

Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

domingo, dezembro 18, 2005

OFICINA DE DOCES DE NATAL VEGANOS, 22 de Dezembro, 5ªf, 18H30, no Oriente no Porto
























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Quem é vegetariano ou vegano por certo já teve de responder algumas vezes a
estas e outras questões:

Alimentação vegana,
alimentação sem leite e sem ovos, isso é possível?

"como se cozinha?"
"e isso é bom?!"
"gostava de aprender..."
" e como substituir os nutrientes?"

Pois bem, este Natal decidimos ensinar, e assim convidamos para uma
oficina de
doces de Natal Veganos. (seguida de festa de Natal alternativa)

O Veganismo é um estilo alimentar mas também um estilo de vida que se
caracteriza pela eliminação de qualquer produto de origem animal na
alimentação e nos usos diários.

Esta actividade está sujeita a inscrição e ao pagamento de 5€, sem fins lucrativos, destinados somente a
cobrir os custos dos alimentos e a reverter a favor do Movimento ATMA.
(Abolição de Todos os Maus-tratos a Animais)
Iremos ensinar a fazer azevias (doce típico do Alentejo), bolo rei, leite creme
e rabanadas, usando somente receitas sem produtos que impliquem a utilização e exploração de animais, como o leite e ovos.

Vais pois poder impressionar a tua família e amigos depois com novas receitas!

Local: O Oriente no Porto- R. de S. Miguel, 19 (á Cordoaria)
Data: Quinta feira dia 22 às 18:30
Inscrições até Quarta feira, dia 21 pelo mail porto@gaia.org.pt, ou
pelos telefones 916077000 - 937037014 - 222 007 223

Depois dos doces prontos, iremos comprovar (como se ainda restassem dúvidas!)
que não ficam a dever nada aos doces tradicionais com ovos, leite, manteiga...
Muito pelo contrário! Com petiscos destes, dá vontade de ser vegano!
Teremos ainda uma festa-convívio a seguir, para a qual não é precisa
inscrição nem pagamento, basta que apareças com vontade de ter um serão
diferente, com gente nova com quem poderás trocar ideias. Iremos ter jogos
dinâmicos e fazer uma troca de presentes simbólica e anti consumista, podes
trazer algo em segunda mão, algo feito por ti, um desenho, uma flor, importa
é a intenção.


Organização: Movimento ATMA.

Contactos:
porto@gaia.org.pt
pelos telefones 916077000 - 937037014 - 222 007 223

4 Comentários:

At 5:08 da tarde, Blogger Solariso said...

Um feliz Eco-Natal e Bom Ano

 
At 7:05 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Qual é o problema de consumir?Indiquem-me um link, ou outra coisa qq onde possa ter acesso às ideias que justificam este pensamento, pois, mt siceramente n percebo.para mim trata-se de uma questão de liberdade de escolha, q n interfere c a liberdade do próximo.Falo numa perspectiva genérica e n de casos específicos, como seja o consumo de qq produto animal (apesar de n comungar das vossas ideias compreendo-as e respeito-as).Não tomem isto como uma provocação.

 
At 10:44 da manhã, Blogger Gaia - Porto said...

Olá,
Muito obrigado pelo teu comentário e questões suscitadas. Temos um documento que pode, em certa medida, responder a questão que colocas.
Se tiveres qualquer outra questão ou comentário não deixes de o colocar.
Saudações!

Pedro Jorge
GAIA - Porto

o tal texto:

Libertação Animal

Vivemos numa sociedade em que o relacionamento do Homem com os outros animais e com a natureza é, regra geral, significativamente atribulado e mesmo violento. Ao longo da história essa relação tem sido, com algumas interessantes excepções, desenvolvidas numa óptica de utilização destes de forma equiparada à de um qualquer objecto desprovido de vida: Os animais, tal como a natureza em geral, vêm sendo utilizados de uma forma utilitarista, sem que nenhum valor intrínseco, para além do mero valor de uso - sobretudo económico - lhes seja reconhecido. Os animais são considerados como coisas, objectos, meros aparelhos sem valor que agem de forma unicamente mecânica. Na realidade, por exemplo em termos jurídicos, determinados objectos possuem um valor diversas vezes superior à da vida de um animal, ou mesmo superior à vida de dezenas de animais (por exemplo, o valor de um automóvel é considerado superior ao valor de centenas de galinhas). Estamos, portanto, perante um modelo de pensamento de cariz essencialmente antropocêntrico, em que o Homem, sobretudo através da componente económica das relações humanas, é tomado como a medida primordial de toda a vida no planeta. O carácter hegemónico que esse modelo de pensamento adquire deve-se, no essencial, a um processo de evolução histórica no qual, regra geral, o paradigma moral vigente tem sido o de legitimar toda e qualquer acção humana de domínio, posse e exploração dos outros seres vivos. É toda a vida a ser decretada pelo Homem, manipulada à sua imagem e propósitos, os quais se situam muito para além de uma mera satisfação das suas próprias necessidades mais essenciais. Os animais, sobretudo nas sociedades industrializadas, muito mais do que serem utilizados e sacrificados para fins alimentares (sendo que existem cada vez mais e variadas formas de nos alimentarmos sem recorremos ao sacrifício de animais) são usados – e abusados - com todo o género de fins e propósitos; até o próprio divertimento humano serve como forma de legitimar o sacrifício de outros seres vivos. É este o paradigma dominante, o padrão de pensamento vigente, e é quase inadmissível defender qualquer outro tipo de raciocínio que a ele possa obstar.
Ainda assim, uma nova corrente de pensamento tem-se vindo a desenvolver. Com base, por exemplo, no princípio de GAIA (no qual, entre outros aspectos, a Terra é tida como uma entidade viva e complexa, onde existem profundas relações de causa-efeito entre toda a acção que nela é desenvolvida) parte-se também do princípio que a posição dominante da espécie humana, adquirida ao longo do processo de evolução humana, não deverá ser um motivo para legitimar o sofrimento massificado infligido aos outros animais, mas sim um estímulo para que, como seres humanos, desenvolvamos atitudes construtivas e uma cultura de profundo respeito por todas as formas de vida; onde as diferenças entre espécies são vistas como uma celebração da diversidade que existe na natureza – que, enquanto nossa principal riqueza, deverá ser preservada – e não como um critério de legitimação da exploração humana sobre os outros seres e espécies.
De resto, está demonstrado por um conjunto de factores históricos que, na forma como se estruturam, quanto mais as sociedade humanas se afastam dos ciclos e dinâmicas naturais do ambiente, mais complicada acaba por ser a vida para os próprios Homens; isto para além de inúmeros problemas graves que, na realidade, são o resultado mais ou menos directo do rompimento desse mesmo equilíbrio ecológico. Ou seja, toda uma panóplia de problemas ambientais, sociais e alimentares, por exemplo, derivam, exactamente, de um não respeito pelas características e dinâmicas mais amplas do meio ambiente e da natureza em geral, assim como de cada espécie em particular. Vivemos em sociedades cada vez mais urbanas e industrializadas, mas vivemos em cidades que nos sufocam, comprimem, e num mundo onde as nossas necessidades são vistas não como características da nossa própria natureza mas sim como formas de rentabilização comercial massificada.
Na prática, e no que mais concretamente em relação aos outros animais diz respeito, o que isto tudo significa é que a nossa relação com eles é de proximidade - comemos, vestimos e consumimos animais - mas, paradoxalmente, não podíamos estar mais longe de nos relacionarmos com eles de forma a respeitar a sua verdadeira natureza, de forma a demonstrar compreensão por aquilo que eles verdadeiramente são. Vemos os animais como coisas, como criaturas acessórias que não têm lugar na nosso habitates densamente urbanizados (e desumanizados), a não ser dentro de gaiolas, de aquários, de jaulas e cubículos de toda a espécie e que transformamos, também, em produtos do nosso entretenimento ou em “produtos” de um qualquer outro nosso consumo, como se de uma outra qualquer matéria prima se tratassem. Provavelmente, antes de vermos cada animal como um ser singular provido de vida, de identidade, vemos sempre cada animal segundo uma perspectiva que apreendemos socialmente; que apreendemos de forma automática e irreflectida ao seguirmos padrões socais dominantes, sem que contudo tenhamos algumas vez reflectido sobre a base moral desses padrões ou sequer pensado nos seus pressupostos de (i)legitimidade.
Se é um facto que os animais competem entre si de forma violenta, e se utiliza esse facto como forma de legitimar a violência que é exercida pelo homem sobre eles, na própria natureza existem inúmeros exemplos de simbiose e cooperação entre diferentes espécies, sendo essas relações absolutamente essenciais para o próprio equilíbrio ecológico.
Por outro lado, a espécie humana é de facto diferente, sobretudo no que diz respeito ao potencial que cada ser humano normalmente possui de agir em virtude da consciência dos seus próprios actos e, consequentemente, de forma racional e ponderada, tendo a liberdade moral para determinar de forma consciente as suas próprias decisões.
Atingimos uma situação de catástrofe ecológica a nível global, com as diversas implicações que essa realidade implica. Nunca o ser humano destruiu tanto, e a um ritmo tão terrivelmente vertiginoso e a uma escala tão global, como nos tempos mais recentes. As palavras não são susceptíveis de exprimir a dimensão da destruição que causámos no ambiente. As palavras não podem exprimir o significado do último sopro de vida do último animal de uma espécie sobre a terra, ou o abate de uma árvore que por séculos se ergueu naquilo que era uma floresta tropical … Objectivamente, a exploração e o sofrimento causado aos animais é um dos factos mais generalizados na história e presente das sociedades humanas. A tortura animal adquire contornos e proporções imensuráveis, é praticada de forma sistemática sem que verdadeiros processos de reflexão colectiva ousem questionar estes modelos de pensamento que estabelecem o antropocentrismo como medida de normalidade (sendo que norma significa, sobretudo, apatia, condicionamento e a massificação de comportamentos mecânicos adquiridos socialmente). No nosso dia a dia, é comum aceitarmos toda esta violência gratuita e atroz de forma passiva e até indiferente. Sermos cúmplices e até elementos activos nela.
O sofrimento generalizou-se ao ponto de ser tornar num elemento adquirido e quase endémico da nossa paisagem social, elemento com o qual nos habituámos a conviver em plena indiferença. Tornámo-nos cada vez mais insensíveis, vivendo de forma plenamente complacente e conivente com a exploração e tortura em larga escala de milhões de seres vivos indefesos. Voltámos a cara para o lado quando os vamos passar em camiões sobrelotados a caminho do matadouro, fingimos não ouvir os inúmeros estalidos de chumbadas de caçadores de cada vez que vamos ao campo e simplesmente negámos que um holocausto moderno, com outras vitimas menos racionais mas não menos indefesas, sucede a cada instante no nosso mundo, tantas e tantas vezes bem perto de nós, como por exemplo no nosso prato.
Até quando? Uma questão a que somente cada um de nós poderá eventualmente responder. A realidade é que, de uma forma ou de outra, somos parte essencial da questão … o dilema que se coloca é que parte da questão queremos ser, ou seja, se queremos ser parte do problema ou parte da solução. Na prática, ignorando o problema, estamos de facto a contribuir activamente para a perpetuação deste holocausto global, somos uma parte importante do problema.
O paradigma antropocêntrico das nossas sociedades é hoje questionado. Os próprios princípios fundamentais de defesa dos direitos dos animais têm-se vindo a deslocar de um eixo centrado numa certa filantropia humana - como se atribuir direitos às espécies não humanas fosse um simples acto de caridade – para um eixo de cariz essencialmente biocêntrico, onde o que está em causa é mais a própria compreensão da nossa interacção com os próprios habitats que nos nutrem e dão vida, onde todas as espécies estão de alguma forma associadas num meio mais amplo do qual todas fazem parte, sem relações hierárquicas artificiais impostas pelo Homem. Começa-se a adquirir uma verdadeira compreensão da essência das relações circunstanciais entre espécies, onde a superioridade circunstancial da espécie humana não funciona, na prática, como pressuposto moral de legitimização de qualquer forma de exploração sobre as outras espécies, mas sim como uma oportunidade única de desenvolver uma cultura de profundo respeito e admiração por todas as outras formas de vida; uma oportunidade de desenvolver uma atitude consciente e capaz de se estruturar em profunda harmonia com as dinâmicas próprias dos ecossistemas naturais.
A exploração animal adquire muitas e variadas formas, partindo antes de tudo o mais dos próprios padrões culturais da nossa sociedade. Uma atitude activa capaz de eliminar essas formas de exploração implica um profundo processo de reflexão pessoal e colectiva que deve passar, antes de tudo o mais, por uma reflexão capaz de reconhecer os contornos que a crueldade humana sobre as outras espécies adquire.
Para além do mais, capacidades até então consideradas exclusivamente humanas têm vindo a ser gradualmente descobertas noutras espécies, sobretudo quando as observações, ao contrário do que até aí sucedia, passaram a ser efectuadas no próprio habitat natural das espécies. Algumas das descobertas, sobretudo na área da primotologia, vieram demonstrar que os animais possuem uma vida social elaborada, uma transmissão de conhecimentos de geração em geração (que é o essencial do próprio conceito de cultura) e comportamentos derivados da história e experiência de cada grupo, entres muitos outros aspectos que poderiam ser enumerados. Ou seja, as barreiras daquilo que supostamente nos separa e diferencia das outras espécies (frequentemente utilizadas como pretexto de legitimização moral da exploração animal) demonstram ser, a diversos níveis, bastante ténues e artificiais, profundamente discutíveis; acentuando desse modo a gravidade ética que constitui submetermos seres tão sensíveis e até complexos a níveis de sofrimento e exploração atrozes.
Em suma, a exploração animal adquire pois inúmeras formas e encontra-se enraizada até em gestos simples do nosso dia a dia. Mesmo enquanto consumidores, e muitas vezes até de forma inconsciente, estamos na realidade a contribuir para que os mecanismos económicos de uma exploração comercial das outras espécies se perpetuem. Da mesma forma, temos imensas possibilidades de contrariar, e até criar alternativas, a esses sistemas instituídos de crueldade e exploração. Ao boicotarmos os produtos de origem animal, ou que impliquem qualquer tipo de exploração animal na sua produção, estamos, na realidade, a demonstrar a nossa determinação para que outros paradigmas, nomeadamente biocêntricos, determinem a nossa relações com as outras espécies. Ao procurarmos as diversas alternativas que cada vez mais frequentemente começam a surgir, estamos na realidade a dar um importante contributo para que elas se possam afirmar cada vez mais.
Se estivermos conscientemente sensibilizados para as dimensões do fenómeno da exploração animal, se estivermos determinados em não nos resignarmos com sua injustiça, são imensas as possibilidades de tudo aquilo que podemos fazer para edificar uma sociedade onde essas formas de exploração possam-se ir gradualmente dissipando até um dia em que, quem sabe, serão completamente abolidas. Quer ao nível individual (modificando o nosso estilo de vida de forma a ser coerente com uma filosofia de não exploração animal, nomeadamente evitando o consumo de produtos de origem animal), quer ao nível colectivo (envolvendo-nos em campanhas e projectos orientados para a abolição das diversas formas de exploração animal existente) as possibilidades que temos de fazer algo são imensas. E mesmo tendo consciência que as grandes mudanças, na maior parte dos casos, necessitam de períodos de tempo de várias gerações para se produzir, na realidade, tudo aquilo que podemos fazer já, aqui e agora, ainda que não tendo um efeito prático muito imediato ou visível, pode fazer imensa diferença para a vida de alguns seres e sobretudo pelo exemplo pedagógico que poderá constituir. Para nós um bife pode ser somente uma refeição, mais uma (e que poderia ser perfeitamente providenciada por um alimentação vegetariana), mas para o animal que foi morto, e cuja carne ensanguentada está no nosso prato, uma refeição para nós é para ele toda a sua vida e futuro … O futuro de muitos animais e seres vivos do nosso planeta está nas tuas mãos e no teu prato … está também na determinação de tudo o que puderes e quiseres fazer para determinar o que queres que esse futuro seja … depende de ti, muito de ti, antes de tudo o mais de ti.

NOTA: Este documento foi inicialmente revisto por Rosa Soares, uma muito entusiasta activista dos direitos dos animais e da Natureza que, entretanto, no período de tempo que decorreu entre essa primeira revisão e a finalização do documento, faleceu vítima de um cancro. Dessa forma, este texto é uma singela homenagem à Rosa e à sua obra, assim como esta causa é também uma forma de perpetuarmos o nome de alguém que tão nobres esforços desenvolveu para que todos pudéssemos viver numa sociedade onde os animais fossem verdadeiramente respeitados pelo Homem. Obrigada Rosa.

 
At 1:52 da manhã, Blogger utupiar said...

Aqui vai também um texto do Tozé, desta vez não centralizado na temática dos direitos dos animais.

Dia sem compras – 29 de Novembro

Uma das taras características de um certo modo de vida é aquilo que, em linguagem psiquiátrica, se designa por oniomania, isto é, a tendência obsessiva para fazer compras. Trata-se, com efeito, de um dos legados das nossas sociedades contemporâneas. Tendência essa que, de resto, ameaça expandir-se e transformar-se num síndroma social do consumismo compulsivo e larvar das futuras relações sociais se não atalharmos a tempo a evolução de tudo transformar em valor de troca os bens e serviços da mais variada natureza.
Ao contrário do século XIX em que a preocupação maior dos economistas era como produzir em mais quantidade, o principal motivo de apreensão dos actuais responsáveis empresariais prende-se em encontrar os meios e as estratégias que melhor garantam o crescimento das despesas por parte dos consumidores de forma a assegurar a continuidade do ciclo económico da produção-rendimento-despesa, para o que contam com os mais variados instrumentos, de uma sofisticação e eficácia jamais vista.
Acontece que esta “modernização económica” releva mais de um eufemismo de linguagem do que propriamente de um verdadeiro processo de desenvolvimento social e humano uma vez que a um tal processo “modernizador” está presente um fervor religioso em tudo submeter aos diktats imperativos da razão económica senão mesmo do deve-e-haver contabilístico, ignorando completamente todos os outros aspectos da vida social e humana. A “doxa” económica e contabilística converteu-se hoje efectivamente em dogma indiscutido e indiscutível a que, sem hesitação, prestam vassalagem as élites arrastando consigo a massa informe das nossas sociedades .
As sociedades de consumo - que também, sintomaticamente, são conhecidas por sociedades do desperdício - constituem um modelo social e económico que tem sido objecto de estudos e análise pelas mais variadas áreas científicas, desde a antropologia até à economia, passando pela sociologia, psicologia social, ecologia, etc, e graças aos quais tem sido possível a compreensão e a crítica da sua lógica interna e dos respectivos dispositivos de funcionamento.
Paralelamente a tomada de consciência dos consumidores da sua função económica e do seu papel face aos interesses empresariais levou à verificação de quanto era frágil a sua posição no jogo de interesses em presença. Daí à acção de defesa dos direitos e interesses do consumidores e respectiva consciencialização para o consumo responsável foi um pequeno passo, logo dado, em 1º lugar, nos países onde se regista maior nível cultural e participação das pessoas na vida pública, mas rapidamente propagado para os demais países. Emerge então o movimento consumerista destinado a sensibilizar os próprios consumidores para as múltiplas implicações que o acto de consumo envolve, desde logo,as consequências de carácter ambiental, mas também de ordem económica, social, cultural,etc. Aliás, um outro movimento precedente tinha tido um papel pioneiro na defesa e consciencialização dos consumidor: falamos, como não podia deixar de ser, do cooperativismo (em especial, das cooperativas de consumidores) que, constituiu na sua face inicial, uma viva esperança, alimentada pelos espíritos mais lúcidos da época, contra o poder abusivo das empresas e os efeitos danosos provocados pela mão cega do mercado.
Já mais perto de nós no tempo surgiram novas iniciativas e movimentos como é o caso do comércio justo que são tentativas de criar circuitos comerciais paralelos de forma a satisfazer quer os interesses dos consumidores como inclusivamente dos próprios produtores, muitos deles do mundo subdesenvolvido que são, literalmente, espoliados pelas grandes cadeias de comercialização dos seus produtos e das suas matérias-primas. Tudo isto vem a desaguar numa nova ética do consumidor, mais exigente em termos ambientais, sociais e económicos.
A última iniciativa para alertar as consciências individuais foi a promoção do Buy Nothing Day por ONGs internacionais como forma de relançar o debate e a reflexão acerca da problemática relacionada com o consumo desenfreado. O próximo dia 29 de Novembro foi justamente escolhido para marcar constituir a nível internacional o dia sem compras. Apesar do carácter simbólico, esta iniciativa não deixa de ter um interesse redobrado se constituir um momento para a consciencialização dos indivíduos para o estado actual do planeta e da humanidade, de que o fenómeno consumista é ,infelizmente, um triste sinal. Cabe a todos nós assumir a sua quota de responsabilidade nessa situação e retirar daí as suas devidas consequências.
Um Dia Sem Compras é um dia em que sabemos apreciar as coisas do mundo que não têm preço.
Um Bom Dia pois para o Dia Sem Compras

António Alves da Silva

P.S. O “Dia Sem Compras” possui já uma página web Portuguesa em: http://gaia.org.pt/semcompras/
Algumas das informações mais completas sobre o assunto podem ser obtidas em: http://www.adbusters.org/home/, http://www.buynothingday.co.uk/

 

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